segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O parto é seu! Conheça os seus direitos.

É DIREITO SEU:

• Ser ouvida, ter suas dúvidas esclarecidas e poder se expressar, sem vergonha de chorar, gritar ou rir. Ninguém pode ignorar, maltratar ou mandar você se calar.
• Ficar livre para se movimentar, o que ajuda a aliviar a dor.
• Ter um acompanhante, que pode ser quem você quiser.
• Usar roupas que não causem vergonha ou desconforto.
• Recusar a lavagem intestinal e a raspagem de pelos, que são desnecessárias.
• Receber alimentos leves e líquidos se sentir fome ou sede.
• Não permitir que rompam a sua bolsa antes de ela arrebentar sozinha, porque isso pode aumentar as dores e contrações, fazer o bebê entrar em sofrimento e causar uma complicação gravíssima, chamada prolapso do cordão umbilical.
• Só receber o soro para apressar o parto (indução com ocitocina) se for necessário, porque ele aumenta muito as dores e pode fazer o bebê entrar em sofrimento.
• Só receber a anestesia se quiser e depois de ser informada sobre os riscos.
• Recusar o corte da vagina (episiotomia). Às vezes o médico faz um corte quando precisa usar o fórceps, ou quando o bebê tem que nascer rápido. Mas, se tudo estiver bem, esse corte não é necessário. Sete entre dez mulheres não laceram (não rasgam), e as que laceram normalmente têm ferimentos menores do que os de um corte.
• Parir na posição que achar mais confortável. Parir deitada com as pernas para cima dificulta a oxigenação (respiração) do bebê dentro da barriga, faz o parto demorar mais e leva você a fazer mais força, aumentando as suas chances de lacerar.
• Só fazer cesariana caso ela seja necessária, e depois de informada do motivo e dos riscos envolvidos. A cesariana feita sem motivo aumenta em três vezes a chance de você ou o bebê morrerem. Menos de 15 em cada 100 gestantes realmente precisam de cesariana. Antes de escolher um médico, veja se o percentual de cesarianas dele não está muito acima disso.
Depois de parir, se você e seu bebê estiverem saudáveis, é direito seu:
• Ter contato físico imediato com seu bebê assim que ele nascer.
• Exigir que esperem que o cordão pare de pulsar para cortá-lo, o que diminui as chances de o bebê ter anemia, além de ser mais confortável para ele.
• Ficar com o bebê sempre junto de você, amamentando-o à vontade.
• Recusar que ofereçam ao bebê água com açúcar, leite artificial, bicos, chupetas e mamadeiras, porque prejudicam a amamentação.
• Receber orientações sobre a amamentação e suas vantagens.

PESQUISE. Se o que o seu médico diz é diferente do que dizem os órgãos oficiais (como a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil), desconfie.

DENUNCIE. Impedir o exercício desses direitos é VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. Denuncie junto à administração do hospital, ao Ministério Público ou à Ouvidoria do seu Município.

EXIJA. Não tolere a violência obstétrica calada.

Lute por você e seu bebê.
Texto retirado do Blog Parto Humanizado

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Amor de mãe, eu quero sentir♡

Uma carta, para Francisco,  por Cris Guerra:

Hoje desci com você pra aguardar a chegada do escolar. Na volta, me peguei chorando no elevador. Olho pra você e me lembro de tudo o que já passamos juntos. O amor recheado de medo e solidão.

Penso no homem que você está se tornando. “Quer água, filho?” “Quero sim, obrigado”. “Mamãe, não tô com fome. Você come o último pão de queijo?” Como sim, filho. Sua delicadeza me alimenta para qualquer dia difícil.

Sabe, filho, é muito fácil esquecer a dor. E é uma bênção. Mas hoje, não é que a dor tenha voltado: me alumbrei mais uma vez por ser sua mãe. Aquele tremor nas mãos, que floria o nosso caminho de significados. Não quero perder esse medo bonito de ver as coisas. Não quero me esquecer do amor.

Ainda não acredito no milagre de haver você na minha vida. Agradeço como quem acaba de parir. Você nasce todos os dias quando o vejo acordar. E a dor de ser mãe me desperta cada músculo na busca de um dia melhor.

Obrigada, filho.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Porque ninguém mais quer ser professor?

Por Luíz Cláudio Tonchis

O desinteresse dos alunos pelos estudos, aumento dos casos de indisciplina, violência e atos infracionais nas escolas preocupam os educadores. Além dos baixos salários e as más condições de trabalho, são as principais causas geradoras de angústia, insatisfação, medo, desestimulando-os ao exercício da profissão. Frase como, por exemplo: “os jovens de hoje não tem limites”, “não querem saber de nada”, “não estudam”, “são apáticos”, “sem educação”, tornaram-se comum. As escolas públicas são muito mais vulneráveis a esses problemas pelas suas características: plural, universalizada, composta por uma clientela heterogênea quanto à condição econômica, social e cultural.
A educação básica na escola pública vai mal. As universidades reclamam, dizem que os alunos que chegam as universidades tem informação, mas são incapazes de compreendê-las. De que será a culpa? Da escola? Dos educadores? Do Estado? Dos Jovens? A racionalidade nos indica que a culpa não é dos nossos jovens, afinal, eles não nasceram prontos, foram produzidos assim na configuração política e social em voga. Sabemos que desde que o “mundo é mundo” os jovens sempre manifestaram certa rebeldia. O que mudou foi à configuração da rebeldia. A indisciplina e a violência revelam-se cada vez mais cruel e perversa.
A indisciplina e a violência na escola é a reprodução da violência que ocorrem na sociedade. A escola não é desconectada da sociedade, faz parte dela. As condições políticas e sociais do país, má distribuição de renda, impunidade, corrupção, baixa escolaridade e de renda da maior parte da população são exemplos de problemas sociais que refletem na escola. Além disso, as mudanças sociais contemporâneas ocorridas no modelo de família refletem na formação dos jovens.  Atualmente os pais necessitam trabalhar, as crianças e adolescentes tem ficado cada vez mais aos cuidados de terceiros ou sós, numa fase da vida tão importante para a educação de valores indispensáveis à boa convivência humana. O pior é que, muitas vezes, a família não é referência. Esses problemas se agravam nas famílias de baixa renda, eles não podem pagar uma cuidadora capacitada ou colocar numa escola infantil de qualidade. Faltam vagas nas creches e de projetos alternativos que acolham essas crianças e adolescentes enquanto os pais trabalham.
Pois bem, esses jovens indisciplinados e violentos estão nas escolas, não é a maioria, mas são muitos. Não estão lá para estudar, estão ali porque a escola é um ambiente social deles ou porque são obrigados. No final dos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio os problemas se agravam. Aumentam à falta de respeito, alunos se recusam a fazer atividades e estudarem, atrapalham as aulas, brigas, xingamentos, palavrões, depredação do patrimônio público, bulling e ameaças são exemplos de ocorrências diárias no cotidiano das escolas. A figura do professor, que antes, e não faz muito tempo assim, talvez uns vinte ou trinta anos atrás, tinha a função de professar o conhecimento, hoje não é, mas assim. Hoje, ele tem que mediar conflitos, chamar atenção dos alunos, enfim, tentar primeiro manter a ordem para que a sala de aula tenha condições de fazer o que ele fazia antigamente.
A questão é que manter a ordem da sala está cada vez mais difícil, os professore não obtém êxito. É humilhado, ameaçado e ofendido com palavrões. O bom aluno que tentar defender o professor e a ordem, também é ameaçado.  Outros, menos violentos quando é chamado atenção, olham para o professor com “cara” de deboche e respondem: “tô suave”; “não dá nada não professora”. Ah! Vai me mandar para a diretoria? Vai chamar meus pais? Conselho Tutelar? Boletim de Ocorrência? Fica a vontade “fessora”.  “Não dá nada não”. Suspensão? Que bom vou ficar uns dias em casa e ficar mais na internet, “na brisa”, vou curtir.
Os educadores trabalham em situações extremas de nervosismo, medo e angústia. Preparam aulas maravilhosas e não conseguem colocar em prática. Não é possível produzir se o ambiente e as condições não são favoráveis, o resultado é a baixa qualidade do ensino e não está pior porque muitos não desistem. A maioria é consciente de suas responsabilidades: transformar vidas, mudar a realidade caótica de muitas crianças e adolescentes, prepara-los para serem cidadãos críticos, conscientes, responsáveis e com uma formação moral e ética por uma sociedade melhor. O paradoxo é que eles são responsabilizados pelo fracasso e o insucesso escolar. Angústia dupla. Na hora de receber o salário, outra angústia.
Jovens, educadores e pais são vitimas do modelo educacional político social e histórico. A melhoria da qualidade da educação acontecerá na medida em que o país melhore a qualidade de vida da sua população, valorize a nossa cultura e desvincule do modelo de práticas curriculares eurocentrista, uniformizadora e colonizadora. Por enquanto, qualquer intervenção nas escolas é apenas um paliativo e isso não dispensa qualquer ação dos sistemas de ensino. Por exemplo, capacitar os educadores é muito importante, mas hoje não é esse o principal problema. O maior problema é tê-los. Ninguém quer ser professor com o salário que ganha e com as condições de trabalho vigente e se nada for feito a educação brasileira travará em breve.

fonte: http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/por-que-ninguem-mais-quer-ser-professor-na-escola-publica#comment-374821

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Porque os filhos precisam mais de sua presença do que de seus presentes

Não é nenhum segredo que as crianças adoram brinquedos novos. Elas amam o Natal e aniversários por causa da infinidade de presentes que ganham. No entanto, o melhor presente que qualquer criança poderia receber é a presença contínua de seus pais em sua vida. Como pais, dar nosso tempo, energia e amor para nossos filhos é uma das coisas mais importantes que podemos fazer.

Quando eu era adolescente, eu não entendia o quão abençoada eu era por ter pais envolvidos e amorosos. Tudo o que eu queria eram as roupas e eletrônicos mais modernos, mas eu tive uma experiência que me assombra até hoje.

Eu estava no ensino fundamental e naquela fase com óculos e aparelho novos. Eu achava que se eu pudesse ganhar roupas novas, a tecnologia mais recente, mochila legal, o que quer que seja, iria me ajudar a sentir-me melhor sobre mim mesma. Eu comecei aquela birra de adolescente com meus pais, chorando e me fazendo de vítima. Lembro-me de correr para o meu quarto e me jogar na cama, chorando e desejando que meus pais me dessem o que eu queria.

Nunca vou me esquecer do que aconteceu. Meu pai entrou no meu quarto, sentou na minha cama e me explicou que dinheiro não faria diferença. Mesmo que ele pudesse me dar um novo guarda-roupa, não seria suficiente. Eu ainda estava brava e triste e achei que ele estava errado. Eu acabei descobrindo que eu estava errada.

Não importava se eu tinha as roupas e acessórios mais recentes e caros. Eu tive pais que tiveram um papel ativo na minha vida. Meu pai, apesar de trabalhar o dia inteiro, foi diligente e frequentemente levava minhas irmãs e eu em “encontros” com ele. Minha mãe sempre esteve presente em nossos eventos extracurriculares, ela sentava ao nosso lado enquanto praticávamos piano e sempre nos ajudava com a tarefa da escola. Eu cresci sabendo que meus pais me amavam, cuidavam de mim e queriam o melhor para mim. Eles não precisavam comprar brinquedos caros para ganhar o meu amor, eles fizeram isso através de suas ações.

Há pessoas que experimentam o melhor do melhor enquanto crescem. Elas ganham os brinquedos mais modernos, carros bonitos, os aparelhos mais novos, mas seus pais quase nunca estão em casa. Seus pais não se incomodam em tentar estabelecer um bom relacionamento. Ao invés disso, eles tentam comprar o amor de seus filhos. Conforme seus filhos crescem, eles não têm um relacionamento próximo. Na verdade, eles raramente conversam. Infelizmente, essas crianças aprendem a crescer sem a ajuda de seus pais, e depois não precisam mais de sua família a menos que seja por motivos financeiros.

O relacionamento entre pais e filhos é estabelecido em tenra idade. As crianças aprendem a confiar em seus pais para tudo, desde trocar suas fraldas a dar-lhes comida a cada refeição. Mesmo que os pais trabalhem em período integral fora de casa, eles ainda podem ser presentes na vida dos filhos. Eles ainda podem fazer todo o possível para desenvolver um forte relacionamento com os filhos baseado no amor e compreensão. Aqui estão algumas razões pelas quais a presença é mais importante na vida de seu filho do que o melhor e maior presente.

Os filhos precisam de seu exemplo

A primeira escola de uma criança é o lar. Este é o lugar onde as crianças aprendem habilidades básicas como falar, andar, usar o banheiro, segurar o garfo, etc. Crianças aprendem essas habilidades observando os outros. Os pais dão exemplo aos filhos. Se uma criança vê os pais fazendo algo, ela sente que também pode fazê-lo. Quando você está presente na vida de seu filho, você ajuda a moldá-lo como a pessoa que você sabe que ele pode se tornar. Os filhos olham para você durante toda a vida e suas ações falam muito mais alto do que qualquer quantia de dinheiro. Mostre aos seus filhos, pelo seu exemplo e suas ações, que você quer o que é melhor para eles.

As crianças precisam de seu contato físico

Quando as crianças caem e se machucam, ou quando estão doentes, não há nada como um beijo de sua mãe ou o aconchego de seu pai. Toque físico é algo poderoso. Considere a importância do contato pele com pele com os bebês logo após o nascimento. O contato físico da mãe logo após o nascimento proporciona muitos benefícios físicos e mentais para a criança. Alguns benefícios desse contato incluem um aumento no desenvolvimento do cérebro do bebê, incentivo à amamentação e proteção contra sentimentos de separação.

Toque físico não é algo que afeta apenas recém-nascidos. Tem um efeito duradouro, mesmo quando adultos. Reserve um tempo para aconchegar-se com seus filhos, deixe que sentem em seu colo enquanto você lê histórias e abrace-os antes de dormir todas as noites, etc.

Envolvimento ajuda a construir a autoestima da criança

Quando você está envolvido na vida de seu filho, você o ajuda a ganhar confiança e construir sua autoestima. Quando pais tornam prioridade ir à apresentação do coral do filho ou o jogo de basquete ou até mesmo certificar-se de que sua tarefa está completa, isso traz sentimentos de segurança e amor à criança. Isso é importante para a saúde mental da criança. Quando esses sentimentos não existem, a criança corre risco de ser insegura e ter uma baixa autoestima.

Um relacionamento forte constrói habilidades de comunicação na criança

Quando os pais estão presentes na vida da criança, eles passam mais tempo conversando com a criança. Sendo que, quando uma criança apenas ganha um presente, elas geralmente ficam sozinhas por um período prolongado de tempo. A comunicação com os pais é essencial para o estabelecimento de habilidades críticas. Vocabulário, gramática e até mesmo habilidades básicas de socialização podem ser aprendidos através de uma comunicação constante entre a criança e os pais.

No início, os presentes parecem uma ótima forma de conquistar o amor de seu filho, mas eles nunca substituirão sua presença. Os filhos crescem rápido demais. Não deixe que sua infância passe sem ser envolvido e demonstrar aos seus filhos o seu carinho através de suas ações.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Que susto! Meu bebê nasceu em casa

Tudo estava planejado para ir à maternidade, mas o trabalho de parto de Juliana Ribeiro, do blog De Menina a Mãe, durou pouco menos de uma hora. Não deu tempo sequer de ir até o quarto dela

“O parto do nosso primeiro filho, há dois anos e oito meses, foi uma cesárea totalmente desnecessária, marcada por conveniência do médico e inexperiência nossa. Durante a segunda gestação, aprendemos muito sobre os diferentes tipos de parto e decidimos tentar o natural hospitalar. Depois de passar por três médicos, apenas o último me encorajou a tal decisão. Tudo, então, foi planejado para isso. No entanto, com 41 semanas, eu ainda não apresentava nenhum sinal de trabalho de parto e já estava me conformando com a possibilidade de ter novamente uma cesárea.

No dia 14 de maio, às 13h43, publiquei uma foto da minha barriga no Instagram (@demeninaamae) e contei, na legenda, que o meu bebê Matheus não havia dado nenhum pista de que queria chegar. Pouco mais de uma hora depois da postagem, eu estava sentada vendo televisão, esperando o horário para ir a uma consulta de rotina, quando senti uma dor de barriga estranha. Liguei para o meu marido e pedi que, quando saísse do trabalho, fosse rapidamente me encontrar.

Cheguei ao consultório por volta das 17h e estava lotado. O médico havia atrasado as consultas e não tinha nem lugar para eu me sentar. Perguntei pelas doulas e obstetrizes e todas estavam ocupadas com grávidas em trabalho de parto.

Passei 40 minutos em pé, sentindo umas pontadas bem leves na barriga. Quando, finalmente, consegui sentar, sabia que o que estava sentindo já eram as famosas contrações. Eram até suportáveis e, quando passavam, parecia que eu nunca havia sentido nada. Meu marido chegou e ficamos aguardando até que, às 19h30, fomos atendidos.

O médico me examinou e disse: 3 cm de dilatação, colo do útero favorável e bebê encaixado! O show estava apenas começando... Ele explicou que aquilo ainda não era trabalho de parto, que o processo poderia levar muitas horas. Eu devia me acalmar e aguardar em casa até o momento de ir para a maternidade. Saindo da consulta, fomos conversar com a doula e conhecemos a obstetriz que nos acompanharia em casa e depois na maternidade.

No caminho, as contrações começaram a ficar cada vez mais fortes e frequentes. Comecei a chorar, uma mistura de emoção, medo e ansiedade. Eu sabia que logo meu bebê estaria comigo, sentia que não demoraria tanto quanto me alertaram. Nós até tentamos parar para comer alguma coisa, mas só foi possível pegar um lanche para viagem.

Perto de casa, decidimos ligar para a obstetriz, pois as contrações dentro do carro estavam difíceis de suportar e vinham em pequenos intervalos. Ela disse que meu corpo finalmente estava em trabalho de parto e que era para observarmos os intervalos das contrações e irmos avisando.

Assim que entrei em casa, senti algo escorrer entre as pernas. Era a bolsa. Logo, entrei no chuveiro e sentei na bola de Pilates, o que me aliviou muito. Já eram 22h15 e, naquele momento, eu senti que havia entrado em trabalho de parto ativo. As contrações vinham de minuto em minuto e as dores eram muito fortes.

Ligamos para a obstetriz, que já estava a caminho, pois o plano ainda era ir para a maternidade. De repente, as dores insuportáveis diminuíram. Ou meu trabalho de parto havia estagnado ou era chegada a grande hora! Nada daquilo havia sido planejado. Estávamos ali, apenas eu e meu marido, a maternidade estava ficando fora de cogitação e meu médico não iria até em casa. E agora?

E foi aí que senti a primeira vontade de fazer força. Agarrei-me ao meu marido e deixei a natureza me levar. A cada contração, fazia força e cada vez mais sentia Matheus chegando. Precisava sair do box. A água naquele momento aumentava as contrações e me deixava nervosa e exausta. Saí do chuveiro engatinhando, mas tive que parar no meio do caminho e ali mesmo fiquei. Enfim, a obstetriz chegou e me senti mais aliviada, mas apenas deu tempo de dizer "me ajuda, ele vai nascer".

Em uma das vezes que fiz força, senti meu bebê descer e cheguei a tocar sua cabeça. Fiquei com medo de não ter força suficiente, mas me esforcei ao máximo e Matheus nasceu... no chão do nosso banheiro. Alguns minutos depois, fui para a cama e lá ficamos até o cordão umbilical parar de pulsar e a placenta nascer. Matheus mamou e ficou comigo o tempo todo. Demorei muito para acreditar que aquilo havia acontecido comigo!”

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A questão relevante sobre o grito

amo os bilhetes que recebo de meus filhos - sejam eles apenas rabiscos em uma folha amarela ou escritos em caligrafia perfeita e papel alinhado. Mas o poema do Dia das Mães que recentemente recebi da minha filha de 9 anos de idade foi especialmente significativo. Na verdade, a primeira linha do poema prendeu minha respiração e lágrimas quentes deslizaram pelo meu rosto.

"A coisa mais importante que eu posso dizer sobre a minha mãe é... que ela está sempre pronta a me apoiar, mesmo quando eu estou em apuros."

Mas nem sempre foi assim.

Em meio às distrações da minha vida, comecei uma nova prática muito diferente da forma como eu havia me comportado até aquele ponto. Eu me tornei uma mãe que gritava. Não era sempre, mas era intenso - como um balão extremamente inflado que fazia com que todos ao alcance da minha voz se sobressaltassem com medo.

Então, como minhas meninas, na época com 3 e 6 anos de idade, me fizeram começar com isso? Foi no modo como uma insistia em correr para buscar mais três colares de contas e os seus óculos de sol rosa favoritos quando já estávamos atrasados? Foi na maneira como a outra tentou servir-se sozinha de cereal e derramou a caixa inteira no balcão da cozinha? Foi quando uma delas caiu e quebrou o meu anjo de vidro especial no piso de madeira depois de ter sido avisada para não tocá-lo? Foi por que elas lutavam contra o sono quando eu precisava de um pouco mais de paz e tranquilidade? Ou foi quando brigavam por coisas ridículas como quem seria o primeiro a sair do carro ou quem tem o maior sorvete?

Sim, eram esses percalços normais, questões e atitudes típicas de crianças que me irritavam a ponto de perder o controle.

Isso não é algo fácil de escrever. E também não foi um momento fácil na minha vida para reviver, porque verdade seja dita, eu me odiava nesses momentos. O que acontecia comigo para que precisasse gritar com as duas pequenas e preciosas pessoas que eu amo mais do que a vida?

Deixe-me dizer-lhe o que tinha acontecido comigo.

Distrações

O uso excessivo do telefone, a sobrecarga de compromissos, várias páginas de listas de tarefas, e a busca da perfeição me consumiam. E gritar com as pessoas que eu amava era um resultado direto da perda de controle que eu estava sentindo na minha vida.

Inevitavelmente, acabaria por desmoronar em algum lugar. Então eu desmoronei a portas fechadas na companhia das pessoas que mais significam para mim.

Até um dia fatídico.

Minha filha mais velha subiu em um banquinho e foi atingida por algo que caiu na despensa e ela acidentalmente entornou um saco inteiro de arroz no chão. Com um milhão de minúsculos grãos no chão parecidos com a chuva, os olhos de minha filha se encheram de lágrimas. E foi aí que eu vi - o medo em seus olhos quando ela se preparou para o discurso de sua mãe.

Ela está com medo de mim, eu pensei, com a conscientização mais dolorosa que se possa imaginar. Minha filha de seis anos de idade está com medo da minha reação ao seu erro inocente.

Com profunda tristeza, percebi que eu não era o tipo de mãe que eu queria para meus filhos conviverem e nem era assim que eu queria viver o resto da minha vida.

Dentro de algumas semanas depois desse episódio, eu tive meu momento de colapso e ruptura - foi a conscientização dolorosa que me impulsionou à jornada do Hands Free. Chegara a hora de deixar ir a distração e entender o que realmente importava. Isso foi há dois anos e meio atrás - dois anos e meio de lenta batalha para diminuir a distração e excesso de eletrônicos na minha vida... Dois anos e meio para me livrar do padrão inatingível de perfeição e da pressão da sociedade para "fazer tudo". Ao deixar de lado minhas distrações internas e externas, a raiva e o estresse reprimidos dentro de mim lentamente se dissiparam. Com nova clareza eu era capaz de reagir aos erros e às injustiças de minhas filhas de uma forma mais calma, compassiva e razoável.

Comecei a dizer coisas como: "É apenas xarope de chocolate. É só limpar e a bancada ficará tão boa como se fosse nova."

(Mudei do suspiro exasperado e revirar de olhos para uma boa atitude).

Eu me ofereci para ajudar com a vassoura enquanto ela varria um mar de flocos de cereais que cobriam o chão.

(Em vez de pular em cima dela com um olhar de desaprovação e aborrecimento total).

Eu a ajudei a pensar por onde ela poderia ter deixado seus óculos.

(Em vez de envergonhá-la por ser tão irresponsável).

E nos momentos em que a total exaustão e o choramingar incessante estavam prestes a me derrubar, eu entrava no banheiro, fechava a porta, e dava a mim mesma um momento para esfriar a cabeça e me lembrar que elas são crianças e as crianças cometem erros. Assim como eu.

E ao longo do tempo, o medo que uma vez brilhou nos olhos de minhas filhas quando estavam com problemas desapareceu. E graças a Deus, eu me tornei um refúgio em seus momentos de dificuldade, em vez de o inimigo do qual queriam correr e se esconder.

Não estou certa de que eu teria pensado em escrever sobre esta profunda transformação, não fosse pelo incidente que aconteceu na tarde da última segunda-feira. Naquele momento, senti o gosto da vida sendo esmagada e a vontade de gritar estava na ponta da minha língua. Eu estava chegando aos capítulos finais do livro que estou escrevendo atualmente e meu computador travou. De repente, as edições de três capítulos inteiros desapareceram na frente dos meus olhos. Passei vários minutos tentando freneticamente reverter para a versão mais recente do manuscrito. Quando isso não funcionou, eu consultei o backup da máquina, apenas para descobrir que ele, também, havia dado erro. Quando eu percebi que nunca iria recuperar o trabalho que fiz nesses três capítulos, eu queria chorar, mas mais ainda, queria sentir e extravasar a raiva.

Mas eu não podia porque era hora de pegar as crianças na escola e levá-las para o treino de natação em equipe. Com grande contenção, eu calmamente fechei meu laptop e me lembrei que poderia haver problemas muito piores do que reescrever esses capítulos. Então eu disse a mim mesma que não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer sobre esse problema naquele momento.

Quando minhas filhas entraram no carro, elas imediatamente perceberam que algo estava errado. "O que há de errado, mamãe?". Elas perguntaram em uníssono depois de vislumbrarem meu rosto pálido.

Eu queria gritar: "Eu perdi três valiosos dias de trabalho no meu livro!"

Eu tinha vontade de bater no volante com os punhos, porque sentada no carro era o último lugar que eu queria estar naquele momento. Eu queria ir para casa e corrigir os meus livros - e não transportar crianças para a natação, torcer roupas de banho molhadas, pentear cabelos emaranhados, fazer o jantar, lavar a louça e pôr crianças na cama.

Mas ao invés disso, eu calmamente disse: "Eu estou tendo um pouco de dificuldade para falar agora. Eu perdi parte do meu livro. E eu não quero falar, porque eu me sinto muito frustrada."

"Sentimos muito", disse a mais velha por ambas. E então, como se soubessem que eu precisava de espaço, elas ficaram quietas todo o caminho até a piscina. As crianças e eu cumprimos o nosso dia e, embora eu estivesse mais calma do que o habitual, não precisei gritar e tentei o meu melhor para abster-me de pensar sobre o assunto do livro.

Finalmente, o dia estava quase terminando. Eu tinha colocado minha filha mais nova na cama e estava deitada ao lado de minha filha mais velha para nosso momento noturno de bater papo.

"Você acha que vai conseguir seus capítulos de volta?". A minha filha perguntou em voz baixa.

E foi aí que eu comecei a chorar - não tanto pelos três capítulos, eu sabia que eles poderiam ser reescritos - o meu choro era mais um extravasamento, devido ao cansaço e frustração envolvidos em escrever e editar um livro. Eu estava tão perto do fim. E de repente ter arrancado de mim meu trabalho, foi algo extremamente decepcionante.

Para minha surpresa, minha filha estendeu a mão e acariciou meu cabelo suavemente. Ela disse palavras reconfortantes como: "Os computadores podem ser muito frustrantes", e "Eu poderia dar uma olhada na máquina para ver se consigo consertar o backup." E então, finalmente, "Mãe, você pode refazer o que perdeu. Você é a melhor escritora que eu conheço", e "Eu vou ajudar no que puder."

No meu momento difícil, problemático, lá estava ela, uma paciente e compassiva incentivadora que não pensaria em me chutar quando eu já estava para baixo.

Minha filha não teria aprendido essa resposta empática se eu tivesse permanecido no hábito de gritar. Porque quando se grita, desliga-se o canal de comunicação, que por sua vez rompe o vínculo e afasta as pessoas - em vez de aproximar.

"A coisa mais importante... É que a minha mãe está sempre pronta a me apoiar, mesmo quando eu estou em apuros".

Minha filha escreveu isso sobre mim, a mulher que passou por um período difícil, do qual não se orgulha, mas que a ajudou a aprender. E nas palavras da minha filha, eu vejo esperança para os outros.

A coisa mais importante... É que não é tarde demais para parar de gritar.

A coisa mais importante... É o perdão das crianças, especialmente se elas veem a pessoa que amam tentando mudar.

A coisa mais importante... É que a vida é muito curta para se chatear com cereal derramado e sapatos fora do lugar.

A coisa mais importante... É que não importa o que aconteceu ontem, hoje é um novo dia.

Hoje podemos escolher uma resposta pacífica.

E ao fazê-lo, podemos ensinar aos nossos filhos que a paz constrói pontes - pontes pelas quais podemos atravessar com segurança por sobre tempos difíceis.

Este post foi originalmente criado por Rachel Macy Stafford, e publicado em seu site handsfreemama.com.Traduzido e adaptado por Stael Pedrosa Metzger com permissão do autor.

terça-feira, 6 de maio de 2014

"Eu sou bom"

Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas… que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade.

Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente:

“Eu sou bom”
Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
“Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim“

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é:
“Então, eu existo para você“